A Vida e o Ensinamento de Sri Ramana Maharshi Pt.2 : O Seu Amor pelos Animais
\n\n\n\n\n\n\n\nAs vidas dos verdadeiros mestres espirituais constituem, por si mesmas, ensinamentos. Uma vida vivida em transparência para com a verdade do ser é uma expressão de graça. Como tal, as ações, interações, comunicações, etc. de grandes mestres como Bhagavan Sri Ramana Maharshi podem inspirar-nos e guiar-nos.
\n\n\n\nBhagavan Sri Ramana tratava todos os seres como iguais e apontava constantemente, com gentileza, as contradições no comportamento dos seus discípulos. Por exemplo, sempre que os seus discípulos tratavam os animais como inferiores aos seres humanos, ele mostrava-lhes através de ações ou palavras gentis que as suas ações não correspondiam às suas aspirações.
\n\n\n\nBhagavan Ramana era um reconhecido amante de toda a vida.
\n\n\n\nEle amava as pessoas. Ensinou e partilhou a sua mensagem de autoindagação até ao momento da sua morte. Além disso, insistia em que qualquer pessoa que viesse ao ashram seria alimentada. Esperava, por exemplo, que todos os outros tivessem comido antes de tomar comida para si próprio.
\n\n\n\nTalvez tanto ou ainda mais, ele amava os animais.
\n\n\n\nExistem incontáveis histórias do amor de Bhagavan Sri Ramana Maharshi pelo reino animal. Existe de facto um livro chamado ‘Bhagavan Ramana: O Amigo de Toda a Criação’. Este livro é exclusivamente dedicado à relação de Sri Ramana com os animais.
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Macacos e Mangas
\n\n\n\nSuri Nagamma escreve numa das suas cartas sobre como os macacos levam apenas o que precisam.
\n\n\n\n“Esta manhã às 10 horas, o Dr. Ananthanaryana Rao e a sua esposa Ramabai trouxeram algumas boas mangas do seu jardim e, ao oferecê-las a Bhagavan, disseram: ‘Os macacos estão a levar todas as mangas. Por isso, apanhámo-las apressadamente e trouxemo-las aqui.’ Bhagavan disse com um sorriso: ‘Oh, é mesmo assim? Então os macacos também vão lá.’ Depois, olhando para todos os presentes, disse: ‘Sim, os macacos levam os frutos um a um, enquanto as pessoas os levam todos de uma vez. Se perguntarmos porquê, dizem que é o seu direito. Se o que os macacos fazem é um pequeno furto, o que as pessoas fazem é um saque em regra. Sem perceberem isso, afastam os macacos.'”
\n\n\n\nExtrato retirado de greatmasters.info
\n\n\n\n\n\n\n\nOs Macacos de Arunachala
\n\n\n\nA associação íntima de Sri Ramana com as tribos de macacos em e em torno de Arunachala abrangeu desde os primeiros dias da sua chegada a Tiruvannamalai até aos últimos dias da sua existência corporal. Ele era o seu amigo, protetor, árbitro, guia e gracioso benfeitor.
\n\n\n\n\n\n\n\nO Amado Nondi
\n\n\n\nHavia tribos de macacos a viver na montanha de Arunachala. Uma história relata como Sri Ramana resgatou um bebé macaco aleijado que tinha sido exilado da sua tribo. Tratou o macaco até à recuperação total da saúde e ele voltou posteriormente à sua tribo e tornou-se o líder.
\n\n\n\nHavia um macaco jovem no bando que começava a mostrar algum potencial e estava a ganhar popularidade dentro da tribo. O líder do bando ficou invejoso e muito desagradado. Com ciúme, atacou o macaco jovem, fazendo-o cair de uma árvore alta. A queda feriu gravemente uma pata. O líder e os outros macacos abandonaram-no ao seu destino perto da Virupaksha Cave. Mal consciente, o macaco acabou por coxear até à Virupaksha Cave.
\n\n\n\nO Bhagavan cheio de compaixão enfaixou a sua pata e tratou-o até à recuperação da saúde. Com o tempo, os ferimentos curaram, mas ficou permanentemente aleijado. Bhagavan chamou-lhe Nondip paiyan, o pequeno Coxo. Era chamado Nondi como nome carinhoso, pois tinha de coxear ao andar ou correr.
\n\n\n\nSeguia Bhagavan para onde quer que Ele fosse, coxeando. Mesmo quando Bhagavan lhe dizia para não O seguir, ele seguia com grande esforço. Desenvolveu um apego a Bhagavan e era-Lhe devoto, olhando para Ele como o seu Mestre. Sob os cuidados amorosos de Bhagavan, a pata de Nondi melhorou e ele recuperou as suas forças.
\n\n\n\nCinco dias depois, os macacos do antigo bando de Nondi vieram à Virupaksha Cave. Os moradores do ashram viram-nos chegar e tiveram medo de que pudessem magoar Bhagavan. Bhagavan assegurou-lhes que nada aconteceria. Os macacos não magoariam ninguém na Virupaksha Cave.
\n\n\n\n\n\n\n\nNondi regressa à sua tribo de macacos
\n\n\n\nAssim que Nondi viu os membros do seu bando, foi e trepou para o colo de Bhagavan. Um dos membros do bando aproximou-se deles e olhou para a pata enfaixada de Nondi; Bhagavan disse ao macaco que tinha aplicado medicina e enfaixado para curar a pata ferida. Os macacos lamentaram ter magoado Nondi tão gravemente. Deram um rosnado amigável e um deles veio puxar Nondi pedindo-lhe para se reunir ao bando. Mas Nondi não queria deixar Bhagavan. Olhou para Bhagavan.
\n\n\n\nBhagavan disse a Nondi: ‘O teu bando veio para te reconquistar. Vai com eles como um bom rapaz. Não te esqueças de nós quando te tornares Rei.’ Ao dizer isto, Bhagavan acariciou Nondi e enviou-o de volta com os seus parentes.
\n\n\n\nNondi costumava vir visitar Bhagavan mesmo depois de Bhagavan e os outros se terem mudado para Skandasramam. Costumava vir com o seu bando e ficar com Bhagavan algum tempo. Quando Azhagammal uma vez deu comida a Nondi num prato separado, ele recusou comer, preferindo partilhar a comida com Bhagavan do Seu prato, servindo-se ao retirar do prato!
\n\n\n\nHistória resumida de greatmaster.info
\n\n\n\n\n\n\n\n“Corrigir-se a si mesmo é corrigir o mundo inteiro. O Sol é simplesmente brilhante. Não corrige ninguém. Porque brilha, o mundo inteiro está cheio de luz. Transformar-se a si mesmo é um meio de dar luz ao mundo inteiro.”
\n\n\n\n– Bhagavan Sri Ramana Maharshi
\n\n\n\n\n\n\n\nRamana e a vaca Lakshmi
\n\n\n\nUma das histórias mais encantadoras conta a história da vaca Lakshmi. Foi trazida ao ashram de Ramana como uma doação. Inicialmente, Ramana recusou a oferta porque na altura o ashram não podia custear uma vaca.
\n\n\n\nNo entanto, após este primeiro encontro, a vaca Lakshmi fugia regularmente do seu dono. Atravessava a cidade local de volta ao ashram, apenas para visitar Ramana.
\n\n\n\nCom o tempo, desenvolveu-se um amor profundo entre Ramana e a vaca Lakshmi. Ela vinha ter com ele quando estava perturbada, literalmente chorando no seu ombro, e ele consolava-a.
\n\n\n\nBhagavan disse: “Mesmo quando era apenas um bezerro de poucos dias, Lakshmi comportou-se de uma maneira extraordinária. Vinha diariamente ter comigo e colocava a cabeça aos meus pés. No dia em que foram lançadas as fundações da goshala (estábulo), estava tão jubilosa que veio e levou-me para a cerimônia. Novamente no dia do grahapravesam, veio diretamente ter comigo à hora marcada e levou-me. De tantas maneiras e em tantas ocasiões, comportou-se de forma tão sensata e extremamente inteligente que não se pode deixar de a considerar uma vaca extraordinária. O que havemos de dizer sobre isso?”
\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\nUma história da vaca Lakshmi e Sri Ramana
\n\n\n\nLakshmi, a vaca, entrou apressadamente na sala com as patas, o corpo e a cauda cheios de lama, com sangue a escorrer do nariz e com uma corda meio cortada à volta do pescoço. Foi diretamente para o sofá onde Bhagavan estava sentado.
\n\n\n\nOs assistentes começaram a dizer com algum desgosto que ela havia entrado com lama no corpo. Bhagavan, porém, disse com afeto: “Deixem-na entrar. Deixem-na entrar. Que importa como ela entra?”
\n\n\n\nDirigindo-se à vaca, disse: “Vem, minha querida. Por favor, aproxima-te.” Ao dizer isso, passou a mão suavemente pelo corpo, acariciou-a no pescoço e, olhando para a cara, disse: “O que é isto? Está a escorrer algum sangue!” Um dos assistentes disse: “Recentemente colocaram-lhe uma corda pelo nariz.”
\n\n\n\n“Oho! É essa a razão? É por isso que ela veio aqui queixar-se a mim. Não lhe dói muito? Incapaz de suportar a dor, veio a correr queixar-se a mim sem sequer lavar o corpo. O que fazer? Dêem-lhe um iddli (bolo de arroz) ou qualquer coisa”, disse Bhagavan, demonstrando grande solicitude pelo seu bem-estar.
\n\n\n\nOs assistentes deram-lhe algumas bananas e assim conseguiram mandá-la embora. Fui à cozinha, trouxe alguns iddlies e dei-lhos. Ficou satisfeita e foi para o seu lugar habitual.
\n\n\n\nA sábia compaixão de Bhagavan Ramana
\n\n\n\nDepois de todos nós voltarmos à sala e nos sentarmos, Bhagavan observou, olhando para os assistentes: “Não vêm todos ter comigo para me contar os vossos problemas? Ela também fez o mesmo. Então porque ficam aborrecidos com ela por ter vindo aqui com lama? Quando temos problemas, preocupamo-nos se as roupas estão bem ou se o cabelo está devidamente penteado?”
\n\n\n\n\n\n\n\nHistória resumida de greatmaster.info
\n\n\n\n\n\n\n\nConclusão
\n\n\n\nEstas histórias e outras fornecem um exemplo claro da vida e do ensinamento de Bhagavan Sri Ramana Maharshi. Acima de tudo, ele não discriminava entre humano e animal. Além disso, abraçava todos os seres com a mesma sabedoria, amor e compreensão. Também é claro que encorajava consistentemente os seus discípulos a ver a vida da mesma forma.
\n\n\n\nPodemos usar estes exemplos para refletir profundamente sobre os nossos próprios comportamentos. Por exemplo, como se relaciona com o mundo? Com os seres nele? Além disso, tem sequer este nível de amor, cuidado e compaixão pelas pessoas que ‘ama’?
\n\n\n\nProvavelmente há muito que podemos aprender sobre amor e aceitação, antes de mais nada de nós próprios. Depois, podemos aprender a estender esse amor aos outros. Finalmente, esperançosamente um dia estenderemos esse amor e cuidado a toda a criação, tal como Bhagavan Sri Ramana Maharshi.
\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\npublicado: 15.09.2022
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