Os ensinamentos da nao-dualidade e a pratica da auto-indagacao sao enormemente populares hoje em dia. Ha dezenas de professores que apenas realizam satsangs. Cada um promove um estilo de investigacao espiritual inspirado na vida e no ensinamento de Sri Ramana Maharshi.
\n\n\n\nSri Ramana Maharshi e, sem duvida, um dos professores espirituais mais influentes da nossa era moderna. Na verdade, muitos diriam que e um dos professores espirituais mais influentes de todos os tempos.
\n\n\n\nUm dos mais conhecidos destes professores e Sri Mooji Baba. Mooji e discipulo de Papaji, que foi ele proprio discipulo directo de Sri Ramana.
\n\n\n\nQuem e Sri Ramana Maharshi?
Bhagavan Sri Ramana Maharshi nasceu como Venkataraman Iyer a 30 de Dezembro de 1879.
A sua mensagem era incrivelmente simples, directa e lucida. Ninguem pode subestimar a importancia da vida e do ensinamento de Sri Ramana Maharshi. A sua relevancia e importancia para a busca espiritual moderna e equivalente a do Buda. Ele elucidou ensinamentos profundos e, mais importante, excepcionalmente acessiveis sobre a auto-indagacao.
\n\n\n\nRamana mal pronunciou uma palavra durante a maior parte da sua vida. Preferindo a transmissao directa da sabedoria atraves da sua presenca silenciosa. No entanto, os seus discipulos registaram o pouco que disse. Fizeram copias das coisas que escreveu e compilaram muitos livros com os seus ensinamentos.
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A VIDA DE BHAGAVAN RAMANA
Por todos os relatos, incluindo o seu proprio, era uma crianca muito comum. Nao mostrava nenhuma inclinacao espiritual especifica. No entanto, com a jovem idade de 16 anos, um subito medo da morte apoderou-se do jovem Venkataraman.
\n\n\n\nEste medo desencadeou um profundo processo de indagacao sobre a natureza daquilo que morre. Por sua vez, esta indagacao conduziu a uma compreensao experiencial directa daquilo que nao morre. Ou seja, o espirito, ou o puro (incondicionado) “Eu Sou”.
\n\n\n\nEsta experiencia do sentido de “Eu” tornou-se o foco central e unico dos ensinamentos de Bhagavan Ramana.
\n\n\n\nSOBRE O SEU DESPERTAR
\n\n\n\n“Um dia sentei-me sozinho no primeiro andar da casa do meu tio. Estava com a minha saude habitual. Raramente tinha alguma doenca. Era um dorminhoco pesado. … Nesse dia, enquanto estava sentado sozinho, nada estava errado com a minha saude. Mas um medo subito e inconfundivel da morte apoderou-se de mim. Senti que ia morrer.
\n\n\n\nA PRIMEIRA AUTO-INDAGACAO
\n\n\n\nPorque razao o senti assim nao pode agora ser explicado por nada sentido no meu corpo. Tambem nao o consegui explicar a mim proprio naquele momento. Nao me preocupei, contudo, em descobrir se o medo era bem fundado. Senti “ia morrer” e imediatamente comecei a pensar no que devia fazer. Nao me apetecia consultar medicos, mais velhos ou mesmo amigos. Senti que tinha de resolver o problema por mim proprio ali mesmo.
\n\n\n\nO choque do medo da morte fez-me imediatamente introspectivo, ou “introvertido”.
\n\n\n\nDisse a mim proprio mentalmente, ou seja, sem proferir as palavras: “Ora, a morte chegou. O que significa isso? O que e que esta a morrer? Este corpo morre.” Imediatamente dramatizei a cena da morte. Estendi os membros e mantive-os rigidos como se o rigor mortis tivesse instalado. Imitei um cadaver para dar um ar de realidade a minha investigacao posterior.
\n\n\n\nPrendi a respiracao e mantive a boca fechada, apertando os labios com forca para que nenhum som pudesse escapar. Que a palavra “Eu” ou qualquer outra palavra nao seja proferida! “Ora bem,” disse eu a mim proprio, “este corpo esta morto. Sera transportado rigido para o local de cremacao e ai queimado e reduzido a cinzas. Mas com a morte deste corpo, estou “Eu” morto? O corpo e o “Eu”? Este corpo esta silencioso e inerte. Mas sinto toda a forca da minha personalidade e mesmo o som “Eu” dentro de mim, – separado do corpo.
\n\n\n\nA REVELACAO
\n\n\n\nPortanto, “Eu” sou um espirito, uma coisa que transcende o corpo. O corpo material morre, mas o espirito que o transcende nao pode ser tocado pela morte. Sou, portanto, o espirito imortal.”
\n\n\n\nTudo isto nao foi um mero processo intelectual, mas surgiu diante de mim vividamente como verdade viva, algo que percebi imediatamente, sem qualquer argumento quase. O “Eu” era algo muito real, a unica coisa real naquele estado, e toda a actividade consciente que estava ligada ao meu corpo estava centrada nisso. O “Eu” ou o meu “eu” mantinha o foco da atencao por uma fascinacao poderosa desde aquele momento em diante. O medo da morte tinha desaparecido de uma vez para sempre. A absorcao no Eu continuou desde aquele momento ate ao presente. Outros pensamentos podem vir e ir como as varias notas de um musico, mas o “Eu” continua como a nota basica ou fundamental de sruti que acompanha e se mistura com todas as outras notas.
\n\n\n\nQuer o corpo estivesse a falar, a ler ou a fazer qualquer outra coisa, eu estava ainda centrado no “Eu”.”
\n\n\n\nExtracto retirado do livro ‘Ramana Maharshi: His Life’ de Gabrielle Ebert
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VIDA APOS O DESPERTAR
\n\n\n\nEsta experiencia notavel teve um impacto transformador na vida do jovem Ramana. Seis semanas apos este acontecimento, pegou nas ultimas 5 rupias que tocaria na sua vida. Deixou a casa dos pais e foi em busca de uma montanha sagrada chamada Arunachala.
\n\n\n\nQuando chegou a Arunachala, deixou de falar (e nao diria uma palavra durante mais de 10 anos). No inicio, sentou-se em templos ao pe da montanha absorto em meditacao.
\n\n\n\nEventualmente, mudou-se para uma gruta no lado da montanha chamada Virupaksha. Ali permaneceu em meditacao durante cerca de 20 anos. A vida e o ensinamento de Sri Ramana Maharshi reflecte profundamente esta dedicacao a meditacao sobre a verdade da realidade.
\n\n\n\n“Olha, ali [Arunachala] esta como se fosse insensivel. Misteriosa e a forma como actua, para alem de todo o entendimento humano. Desde a minha infancia irreflectida, a imensidao de Arunachala brilhou na minha consciencia, mas mesmo quando soube de alguem que era apenas Tiruvannamalai, nao percebi o seu significado. Quando aquietou a minha mente e me atraiu para si e eu me aproximei, vi que era quietude absoluta.”
\n\n\n\n– Sri Ramana Maharshi – Sobre Arunachala
\n\n\n\nReconhecendo o estado muito especial do jovem Venkataraman, um numero de sadhus comecou a reunir-se a sua volta. Tratavam das suas necessidades corporais enquanto ele permanecia absorto em estados meditativos profundos. Tambem se sentavam em silencio com ele e retiravam muita inspiracao e compreensao da profundidade da sua silenciosa presenca.
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Quem sou eu? Nao o corpo, porque esta a deteriorar-se; nao a mente, porque o cerebro deteriorar-se-a com o corpo; nao a personalidade, nem as emocoes, pois estas tambem desaparecerao com a morte.
\n\n\n\n– Sri Ramana Maharshi
\n\n\n\nRamana meditou quase continuamente sem falar durante cerca de 10 anos. A esta altura, a sua reputacao tinha comecado a difundir-se. Subsequentemente, praticantes espirituais viajavam longas distancias para passarem tempo na presenca do silencioso sabio.
\n\n\n\nRamana respondia ocasionalmente a perguntas por escrito. Uma das primeiras sessoes de perguntas e respostas com o silencioso sabio foi registada e publicada como o livro “Quem sou eu?”.
\n\n\n\nGanapati Muni aproximou-se de Sri Ramana para receber instrucao espiritual. Ao receber os ensinamentos sobre auto-indagacao, Ganapati sentiu-se profundamente comovido. Deu entao ao silencioso sabio o nome de Sri Bhagavan Ramana Maharshi. A partir de entao, ficou conhecido por este nome.
\n\n\n\nO PRIMEIRO ENSINAMENTO FALADO DE SRI RAMANA
\n\n\n\nA primeira vez que Ganapati Muni visitou a gruta de Sri Ramana, fez uma pergunta sobre tapas, disciplina yogica.
\n\n\n\n“Tudo o que tinha de ser lido, li. Ate as Vedanta Sastra [as sagradas escrituras do Vedanta] compreendi plenamente. Pratiquei japa a vontade. No entanto, ate este momento nao compreendi o que e tapas. Por isso vim refugiar-me aos teus pes. Peco-te que me ilumine sobre a natureza do tapas.”
\n\n\n\nDurante 15 minutos, Sri Ramana olhou em silencio para os olhos de Ganapati Muni. De acordo com o seu estilo de ensinamento habitual de transmissao silenciosa. No entanto, o agitado Ganapati Muni nao conseguia receber o ensinamento e implorou a Sri Ramana que o ajudasse mais.
\n\n\n\nBhagavan Ramana respondeu:
\n\n\n\n“Se alguem observa de onde brota esta nocao de “Eu”, a mente sera absorvida nisso. Isso e tapas. Se um mantra e repetido e a atencao dirigida para a fonte de onde o som do mantra e produzido, a mente sera absorvida nisso. Isso e tapas.”
\n\n\n\nEsta foi a primeira vez que Sri Ramana respondeu a uma pergunta com palavras faladas.
\n\n\n\n“Vai! Para onde posso ir? Estarei sempre aqui.”
\n\n\n\n– Sri Ramana Maharshi – Falando sobre a sua propria morte
\n\n\n\nA MORTE DE BHAGAVAN SRI RAMANA MAHARSHI
\n\n\n\nBhagavan Sri Ramana Maharshi morreu, ou deixou o seu corpo fisico a 14 de Abril de 1950.
\n\n\n\nMorreu de um tipo de cancro particularmente doloroso. Expressou que havia alguma dor e dificuldade no seu corpo. No entanto, permaneceu calmo e lucido ate ao fim da sua vida fisica.
\n\n\n\nContinuou a oferecer darshan ate ao fim da sua vida.
\n\n\n\nA MORTE DE SRI BHAGAVAN RAMANA, NAS PALAVRAS DO SEU ASSISTENTE
\n\n\n\nHavia outro problema. Os devotos queriam ter o darshan do seu Guru.
\n\n\n\nNao queria incorrer na sua ira recusando-lhes um ultimo darshan do seu Guru. Pedi-lhes que viessem em fila e que nao fizessem perguntas nem esperassem palavras de sabedoria de Bhagavan.
\n\n\n\nO darshan continuou ate as 17h. Os devotos vieram em grande numero e, embora a policia mantivesse a fila a mover-se rapidamente, voltavam e ficavam novamente na fila, a chorar e a lamentar-se. Era um espectaculo que me comoveu profundamente.
\n\n\n\nVendo a dificuldade que Bhagavan estava a experimentar, corri um biombo e nao permiti mais darshan. O. P. Ramaswani Reddiyar veio, e eu disse-lhe que podia entrar, mas ele recusou. Vendo como o corpo de Bhagavan estava a sofrer, O. P. Reddiyar pediu aos devotos que cantassem “Aksharamanamalai”. Fez isto porque o corpo de Bhagavan estava a sofrer e ele nao queria que ninguem o notasse.
\n\n\n\nBhagavan tinha-me dito que um Jnani nao se importa com a forma como o seu corpo e depositado, pois a ideia de corpo ja morreu. Era apenas para o olho nu que Bhagavan estava a sofrer. Na realidade, nao havia sofrimento uma vez que Bhagavan nao tinha dehatma buddhi (a ideia de “Eu sou o corpo”).
\n\n\n\nOS MOMENTOS FINAIS
\n\n\n\nForam colocadas muitas almofadas para apoiar a sua cabeca e Ele estava sentado com as pernas estendidas. De repente, Bhagavan pediu-me que o sentasse na postura padmasana, e nessa postura o ultimo suspiro saiu dele, e ele ficou imovil.
\n\n\n\nQuando Bhagavan largou o corpo, eu estava a segurar a cabeca, e Subramanian estava ao meu lado. Estava a olhar para o rosto de Bhagavan, e quando a maxila inferior caiu, soube que ele tinha deixado o corpo. As mulheres la fora sentiram de alguma forma e, batendo no peito, tentaram entrar e ter um ultimo darshan. Mas a policia impediu-as. Ajudei a transportar o corpo para o Mandapam do templo da mae. O meu servico a Bhagavan terminou ali.
\n\n\n\n\n\n\n\nCONCLUSAO
Vezes sem conta, na vida e no ensinamento de Sri Ramana Maharshi, vemos uma vida de humildade, servico, sabedoria transparente e graca.
Que estas historias e exemplos sirvam como pontos de reflexao. Que nos inspirem a todos a viver uma vida seguindo este exemplo. Uma devocao incondicional ao conhecimento experiencial mais profundo da verdade que nos esta disponivel.
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